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Hipoplasia do esmalte dentário Amelogênese imperfeita


 

Reconhecemos três estruturas resistentes no dente:o esmalte, a dentina e o cemento que têm características diferentes quanto à sua composição química, suas determinantes físico-químicas, sua origem, função e patologia. O esmalte, ou revestimento externo do dente, é a substância de maior dureza existente no corpo; é encontrado apenas na coroa, revestindo e protegendo completamente a dentina da exposição externa. O esmalte é constituído de cerca de 96% de material orgânico, e os 4% restantes estão compostos de matriz orgânica e água. Apesar de ser uma estrutura mineralizada sofre enfermidaders genéticas que afetam a sua estrutura. Muitos distúrbios do desenvolvimento e crescimento das estruturas orais e dos dentes já foram identificados em cães e gatos. Estes distúrbios dentários podem estar manifestados como anormalidades da forma, número, erupção e esfoliação, ou estrutura.

Daremos ênfase à estrutura anormal-hipoplasia do Esmalte. Em seres humanos, ocorrem as formas hereditárias e ambiental, mas apenas a forma ambiental foi identificada em cães. As imperfeições hereditárias do esmalte não associadas com imperfeições sistêmicas são consideradas como tipos de amelogêneses imperfeitas-hipoplasias. Hipoplasia do esmalte é a formação incompleta insuficiente da matriz orgânica do esmalte dos dentes, ocorre como resultado da lesão aos ameloblastos, são células formadoras do esmlate, que cumprem diversas funções durante as diferentes etapas da formação do dente, por não existirem posteriormente quando o dente já está totalmente formado. Como a hipoplasia só se produz durante o desenvolvimento dos dentes, ou melhor, durante a etapa da calcificação do esmalte, uma vez o mesmo estando formado não poderá mais produzir o defeito. A hipoplasia do esmalte é bastante comum, considerando-se que pode ocorrer sob forma quase que imperceptível. Em sua forma menos acentuada, apresenta-se como ondas ou sulcos horizontais, de coloração normal, nas superfícies vestibulares dos dentes- anormalidades que só podem ser percebidas pelo exame atento ou passando-se um explorador sobre auelas superfícies. Nos casos mais acentuados as estrias são mais profundas, proeminentes, alterando a coloração do esmalte normal para um amarelo pardo até negro, sugerindo uma perturbação prolongada da função ameloblática.

Existem dois tipos básicos de hipoplasia do esmalte:

1 um tipo hereditário-amelogênese imperfeita,;

2 um tipo causado por fatores ambientais.  

A amelogênese imperfeita constitui um grupo de defeitos hereditários do esmalte sem associação com quaisquer outros defeitos generalizados.É um distúrbio exclusivamente ectodérmico, uma vez que os componentes mesodérmicos dos dentes estão basicamente normais.

Dentre as amelogêneses imperfeitas encontramos:

1 Amelogênese imperfeita hipoplásica _espessura do esmalte é menor do que o normal, apresentando fissuras ou depressões horizontais.

2 Amelogênese impereita hipoplásica com depressões _ autossômico dominante.

3 Amelogênese imperfeita hipoplasica local autossômica domiante.

4 Amelogênese outossômica dominante com superfície dentária lisa.

5 Amelogênese imperfeita hipoplática com superfície rugosa-autossômica dominante.

6 Amelogênese imperfeita hipoplática ligada ao cromossomo X

7 Amelogênese imperfeita hipomaturativa

8 Amelogênese imperfeita hipomaturativa-hipoplásica com taurodontia, autossômico

dominante

9 Amelogênese imperfeita hipomaturativa ligado ao cromossomo X (recessivo)

10 Amelogênese imperfeita pigmentada-autossômica recessiva.  

Têm sido feitos muitos estudos, experimentais e clínicos, na tentativa de determinar a causa e natureza da hipoplasia do esmalte devido a condições ambientais. Sabe-se que vários fatores diferentes, cada qual capaz de causar dano aos ameloblastos, podem dar origem a esta condição, incluindo:

deficiências nutricionais(vitaminas A, C e D )

doenças exantemáticas (e. g. sarampo, varicela, escarlatina )

sífilis congênita;

hipocalcemia;

5 trauma por ocasião do nascimento, prematuridade, eritroblatose fetal;

6 infecção ou traumatismo locais;

7 ingestão de substâncias químicas (principalmente fluoreto);

8 causas idiopáticas.  

As hipoplasias de esmalte produzidas por causas locais desenvolvem um tipo especial de anomalia conhecida por dente de Turner. O dente de Turner além da hipoplasia , apresenta coroa disforme, sor diferente, estrutura do esmalte deficiente a até alteração da forma da raiz.

De modo geral, nas hipoplasias de Turner apenas um dente se mostra afetado, sendo os incisivos permanentes superiores e os pré-molares superiores e inferiores os mais freqüentemente atingidos, apesar de terem sido apontados inúmeros fatores como possíveis causas da hipoplasia do esmalte, estudos clínicos mostram que a maioria dos casos é de origem desconhecida. Como o ameloblato é um tipo de célula sensível e facilmente danificada, é provável que nos casos em que a etiologia não pode ser determinada o agente causal tenha sido enfermidade ou distúrbio sistêmico tão leve que o paciente não se deu conta e nem se lembra e também porque não se expressa por palavras, é o caso dos nossos amigos: os animais irracionais. Merillat avançou uma previsão sobre o futuro da Odontologia e da Medicina veterinária: “Quando a odontologia em animais for mais geralmente reconhecida como aspecto importante, se não essencial da terapêutica animal, e quando as operações dentárias em razão de maior habilidade, se tornarem mais fáceis, então a veterinária tratará a arte da odontologia com a mesma dignidade imputada aos outros ramos da cirurgia...O número limitado de pacientes provavelmente sempre irá impedir a evolução da odontologia animal para uma profissão especial. Portantos, será exigido que o veterinário se aperfeições na prática desta arte.”

 

CLASSIFICAÇÃO DENTÁRIA:

 

Os dentes são classificados nos tipos simples e complexo, com base nas inter-relações das estruturas anatômicas dentárias: esmalte, cimento, dentina e polpa. Dente simples e dente complexo, também são conhecidos, em perspectivas, como braquiodontes (coroa baixa)e hipsodontes (coroa alta). Todos os dentes do cão, gato e do ser humano, são dentes simples ou braquiodontes. Este conceito é importante por que muitos dos pormenores e técnicas para a terapia dentária descritos nos livros-texto e na literatura sobre odontologia humana são aplicáveis mediante algumas modificações, à odontologia veterinária. Visto que dentes complexos são encontrados em outras espécies , os leitores devem consultar os textos apropriados para maiores imformações.

 

ANOMALIAS DO DESENVOLVIMENTO DOS DENTES:

 

Muitos distúrbios do desenvolvimento e crescimento das estruturas orais e dos dentes já foram identificados no cão e no gato. Estes distúrbios dentários podem estar manifestados como anormalidades da forma, número, erupção e esfoliação, ou estrutura. Além disto, podem ocorrer vários problemas de oclusão. Estas anomalias dentárias podem ser fruto genético, ou podem ser causadas por uma série de fatores ambientais, interferindo com o desenvolvimento fetal ou neonatal. Em seres humanos, fatores hereditários e os fatores ambientais patológicos, cada um cerca de 10% das anomalias do desenvolvimento, e os restantes 80% (sic) são idiopáticos. Desconhese-se se estes aspectos também se aplicam ao cão e ao gato.

 

ESTRUTURA ANORMAL:

 

Hipoplasia do Esmalte, é a formação incompleta ou defeituosa da matriz orgânica do esmalte dos dentes. Em seres humanos ocorrem as formas hereditária e ambiental, mas apenas a forma ambiental foi identificada em cães. A hipoplasia do esmalte ocorre como resultado da lesão aos ameloblastos, durante o desenvolvimento dos dentes. Esta lesão pode ser causada por uma série de distúrbios infecciosos e não-infecciosos. Infecções virais epiteliotrópicas, particularmente a cinomose, são as causas mais importantes. A hipoplasia do esmalte incipiente caracteriza-se por esmalte irregular, cujas áreas inicialmente surgem como estruturas opacas, mas que logo manchadas de castanho. Podem estar presentes pequenas depressões irregulares. Na forma mais severa, é visível a ausência ou extremo adelgaçamento, do esmalte em forma de faixa. A localização das lesões no dente está ligada ao estágio evolutivo no qual os ameloblastos foram lesionados. Dentes com hipoplasia do esmalte estão predispostos a ocorrência de manchas e ao acúmulo de cálculos, devido a superfície irregular. A hipoplasia do esmalte afeta toda a dentição, em decorrência da cinomose e de outras afecções sistêmicas. Arnbjerg observou elevada incidência de hipoplasia generalizada das raízes, em caso de hipoplasia do esmalte induzida pelo vírus da cinomose. Traumatismo dos folículos dentários em fase de desenvolvimento pode resultar na hipoplasia do esmalte em um ou mais dentes. Foi registrada a ocorrência de hipoplasia do esmalte ocorrente no cão e resultante da excessiva ingestão de fluoreto durante a formação dos dentes. Os fatores fisiopatológicos são similares aos da hipoplasia do esmalte dcorrente da cinomose. Aparece lesão nos ameloblastos, mas pode ocorrer também interferência com o processo de calcificação da matriz.  

 

AMELOGÊNESE : FORMAÇÃO DO ESMALTE:

 

Os ameloblastos são as células formadoras do esmalte. Elas cumprem diversas funções durante as diferentes etapas da formação do dente, por não existirem posteriormente, quando o dente já está totalmente formado. Suas funções podem classificar-se em:

 

DETERMINAÇÃO DA COROA E DA SUA FORMA

ORGANIZAÇÃO DOS ODONTOBLASTOS

FORMAÇÃO DA MATRIZ DO ESMALTE

HIPOPLASIAS:

A hipoplasia do esmalte é bastante comum, considerando-se que pode ocorrer sob forma quase que imperceptível. Em sua forma menos acentuada,apresenta-se como ondas ou sulcos horizontais, de coloração normal, nas superfícies vestibulares dos dentes – anormalidades que só podem ser percebidas pelo exame atento ou passando-se um explorador sobre aquelas superfícies. Nos casos mais acentuados, os sucos são mais proeminentes, profundos e até com alteração de cor. Algumas vezes são encontradas fossetas, únicas ou em duas séries horizontais. As fossetas, freqüentemente, têm colaboração escura ou negra.Embora em certos casos o contorno anatômico geral da coroa não esteja alterado de modo significativo, nos casos mais graves são encontradas deformações e malformações das coroas. Visto que a maioria das hipoplasias dentárias está associada a doenças sistêmicas que ocorrem na primeira infância, os dentes mais comumente afetados são aqueles que estavam em calcificação quando ocorreu a doença, a saber incisivos centrais e laterais, caninos e primeiros molares. Geralmente, são envolvidos o terço incisal, ou os terços incisal e médio dos centrais, os terços incisais e laterais, a ponta dos caninos: os terços oclusais dos primeiros molares. Em outras ocasiões, são afetados os premolares e os segundos molares, e nestes casos a doença sistêmica responsável deve ter ocorrido depois da primeira infância. Quando a hipoplasia é causada por doenças sistêmicas, os defeitos quase que invariavelmente são bilaterais e de distribuição simétrica. Nos dentes decíduos, a hipoplasia é rara, posto que deve ter sido provocada durante a gravidez. A hipoplasia resulta de um distúrbio das células formadoras do esmalte, interferindo na função dos ameloblastos. O distúrbio, com tudo pode ser provocado por qualquer uma das numerosas enfermidades sistêmicas, incluindo doenças infecciosas graves, prolongadas e debilitantes, e certas perturbações metabólicas crônicas e endócrinas. Ocasionalmente os sinais da hipoplasia estão localizados ou restritos a um, dois ou mais dentes de um só lado, sugerindo, assim, mais um fator etiológico local do que sistêmico.em tais casos, o clínico deve procurar estabelecer como causa um traumatismo, uma infecção ou radiação. A causa responsável pode ser encontrada na história de traumatismo ocasionando um distúrbio das células formadoras de esmalte do dente permanente subjacente. A condição também pode ser explicada pela infecção odontogênica de um dente decíduo. Em alguns casos, a irradiação da maxila ou mandíbula com fins terapêuticos pode ter sido o agente responsável pela hipoplasia.

HIPOPLASIA DO ESMALTE:

Trata-se de defeito congênito do esmalte provocado por fatores ambientais, tanto de natureza sistêmica como local. A hipoplasia do esmalte consiste basicamente na formação deficiente de matriz de esmalte devido a alterações dos ameloblastos. Afeta tanto a definição decídua como a permanente. Vários fatores do meio ambiente podem lesar os ameloblastos produzindo hipoplasias do esmalte, como: sífilis congênitas, exantemáticas, hipocalcemia, avitaminoses, ifecção ou trauma local, ingestão de substância tóxica como fluoretos, etc. Clinicamente os dentes com hipoplasia do esmalte exibem sulcos, depressões ou fissuras na superfície do esmalte de acordo com a intensidade e a extensão da agressão, podem surgir lesões discretas sob a forma de um ou vários sulcos estreitos na superfície do esmalte ou lesões graves com o aspecto de depressões profundas dispostas horizontalmente em torno do dente. Várias lesões dispostas paralelamente indicam ritmicidade das agressões durante a fase de deposição da matriz do esmalte. Distúrbios prolongados durante este período geram lesões amplas nas quais se perde uma certa porção de esmalte. Como as hipoplasias só ocorrem durante a fase de deposição da matriz de esmalte, não sendo possível sua ocorrência após a calcificação da mesma, é possível precisar o período aproximado em que se deu a agressão com base nos conhecimentos sobre a cronologia de desenvolvimento dos dentes decíduos e permanentes e na localização do defeito na superfície do esmalte. Nos dentes permanentes a hipoplasia do esmalte afeta principalmente aqueles que se formam nos primeiros dez meses de vida, isto é, os primeiros molares, os incisivos centrais superiores e inferiores, e os caninos. Após este período, as hipoplasias afetam os incisivos laterais superiores, os pré-molares e o segundo molar. As hipoplasias de esmalte produzidas por causas locais desenvolvem um tipo especial de anomalias conhecida por dente de Turner. Clinicamente os dentes de Turner são menores que os normais e apresentam defeitos caracterizados pela ausência local de esmalte e pela deposição de cemento sobre o referido defeito dando a coroa uma coloração amarelada. De modo geral, nas hipoplasias de Turner apenas um dente se mostra afetado, sendo o incisivo permanente superiores e os pré-molares superiores e inferiores os mais freqüentes atingidos.

DISTÚRBIOS DO DESENVOLVIMENTO DA ESTRUTURA DOS

DENTES:

Amelogênese Imperfeita

(Displasia Hereditária do Esmalte)

Castanho Hereditário, Dentes Opalescentes 

Castanho Hereditário: A amelogênese imperfeita constitui um grupo de defeitos hereditários do esmalte sem associação com quaisquer outros defeitos generalizados. É um distúrbio exclusivamente ectodérmicos dos dentes estão basicamente normais. O desenvolvimento do esmalte normal ocorre em três etapas: (1) durante a qual há disposição da matriz orgânica; (2) a etapa de calcificação, durante a qual a matriz é mineralizada, e (3) a etapa de maturação durante a qual os cristais aumentam e completam-se. Conseqüentemente são reconhecido três tipos básicos de amelogênese imperfeita: (1) o tipo hipoplásico no qual há formação deficiente da matriz, (2) o tipo hipocalcificado (hipomineralizado) no qual há mineralização deficiente da matriz formada, e (3) o tipo com hipomaturação, no qual os cristais do esmalte permanecem imaturos. Witkop e Sauk, baseados em critérios clínicos, histológicos e genéticos, estabeleceram a seguinte classificação para amelogênese imperfeita:

Hipoplástica

Com fossetas, autossômica dominante;

b)Local, autossômica dominante;

c)Lisa, autossômica dominante;

d) Rugosa, autossômica dominante;

e) Rugosa, autossômica recessiva;

f) Lisa, dominante ligada ao sexo.

 

Hipocalcificada

Autossômica dominante;

Autossômica recessiva .

 

Com Hipomaturação

 

a) Hipomaturação-hipoplásica com Taurodontia, autossômica dominante;

b) Recessiva ligada ao sexo;

c) Pigmentada, autossômica recessiva;

d) Dente com manchas opacas.

 

HIPOPLASIA DEVIDA A DEFICIÊNCIA NUTRICIONAIS E FEBRES EXANTEMATOSAS:

 

Alguns estudos têm mostrado que o raquitismo durante a época da formação do dente é a causa conhecida mais comum hipoplasia do esmalte. Por exemplo, uma série de crianças raquíticas relatadas por Shelling e Anderson, 43 por cento dos dentes apresentava hipoplasia. Na atualidade, porem, o raquitismo não é uma doença prevalente. Como causa da hipoplasia também têm sido mencionadas as deficiências de vitamina A e C.

 

Alguns estudos indicaram que as doenças exantematosas, incluindo o sarampo, a varicela e a escarlatina, não são fatores etiológicos, mas outros pesquisadores não confirmaram este achado. Em geral, pode-se afirmar que qualquer deficiência nutricional ou doenças sistêmicas sérias é capaz de produzir hipoplasia do esmalte, de vez que os ameloblastos constituem um dos grupos de células mais sensíveis do corpo, termos de função metabólica. O tipo de hipoplasia decorrente destas deficiências e doenças usualmente é variedade de fossetas, descritas acima. Visto que as fossetas tendem a ficar pigmentadas,o aspecto clínico destes dentes pode ser muito desagradável. Estudos clínicos indicam que a maioria dos casos de hipoplasia do esmalte envolve os dentes que se formam no primeiro ano após o nascimento, embora possam ser afetados dentes que se formam um tanto mais tarde. Deste modo, os dentes envolvidos com mais freqüência são os incisivos centrais e laterais, os caninos e os primeiros molares. Como a ponta da cúspide do canino começa a formar-se antes do incisivo lateral, alguns casos envolvem somente o incisivo central, o canino e o primeiro molar. Os pré-molares o os segundos e terceiros molares, raramente são afetados, visto que sua formação só começa por volta dos 3 anos de idade ou mais. Tem havido grande controvérsia quanto a qualquer relação entre a hipoplasia do esmalte e a incidência de cárie, e os relatos clínicos têm fornecido resultados conflitantes. É mais razoável admitir que as duas não estão relacionadas, embora os dentes hipoplasicos pareçam mostrar evolução um tanto mais rápida da cárie, quando cariados.

 

Hipoplasia do Esmalte Devida à Sífilis Congênita:

 

A hipoplasia devida à sífilis congênita, no mais das vezes, não é da variedade de fossetas, descrita anteriormente, em vez disso tem um aspecto característico quase patogênico. Esta hipoplasia envolve os incisivos permanentes superiores e inferiores e os primeiros molares. Os dentes anteriores afetados chamados as vezes de dentes Hutchinson, enquanto os molares são designados como molares em amora (molares de Moon, molares de Founier). Caracteristicamente, o incisivo central superior tem a forma de “chave de fenda”, com faces mensial e distal da coroa convergindo para a borda incisiva em vez da margem cervical. Além disso a borda incisiva geralmente é chanfrada. Os incisivos central e lateral inferiores podem ser envolvidos do mesmo modo, embora o incisivo lateral superior possa estar normal. A causa da convergência e da chanfradura do incisivo superior tem sido explicada com base na ausência do tubérculo ou centro de calcificação. As coroas dos primeiros molares na sífilis congênita, são irregulares e o esmalte da face oclusal e do terço oclusal do dente parece estar disposto em uma massa aglomerada de glóbulos, em vez de cúspides bem formadas. A coroa é mais estreita na face oclusal do que na margem cervical. Fiumara e Lessell relataram que entre 1958 e 1969 houve um aumento de mais de duzentos por cento nos casos de sífilis primária e secundária relatados nos EUA, e que conseqüentemente, a sífilis congênita em crianças com menos de 1 ano de idade aumentou 117 por cento durante o período de dez anos, 1960 a 1969.Estudando 271 portadores de sífilis congênita verificaram que mais de 63 por cento tinham dentes de Hutchinson, mas salientes que isto pode não representar a verdadeira incidência, de vez que alguns dos pacientes tiveram seus dentes extraídos. Além disso, cerca de 65 por cento deste grupo de pacientes com sífilis congênita também apresentavam os molares em “amora” característicos.

Nem todos os pacientes com sífilis congênita apresentarão estes achados. Ademais alguns pacientes parecerão ter dentes de Hutchinson sem história de sífilis congênita. Portanto não se deve fazes um diagnóstico precipitado de sífilis, particularmente na ausência das outras condições da tríade de Hutchinson.

 

Hipoplasia do esmalte devida à Hipocalcemia:

 

A tetania, provocada pela baixa do nível de cálcio no sangue, pode resultar de várias condições, as mais comuns sendo a deficiência de vitamina D e a deficiência de paratireoidiana (Tetania paratireopriva). Na tetania, o nível de cálcio sério pode baixar até 6 a 8 mg por, e neste nível a hipoplasia do esmalte é produzida freqüentemente nos dentes que se encontram em desenvolvimento. Este tipo de hipoplasia do esmalte, em geral é da variedade de fossetas e não difere daquele resultante de distúrbios nutricionais ou doenças exantematosas.

Hipoplasia Devida a Traumatismo por Ocasião do Nascimento:

 

A linha ou anel neonatal, descrita por Schour em 1936 e presente nos dentes decíduos e nos primeiros molares permanentes, pode ser interpretada como um tipo de hipoplasia por que é produzida, no esmalte e na dentina, uma alteração indicativa do traumatismo ou da mudança de meio pó ocasião do nascimento. Nos partos traumáticos, a formação do esmalte pode até mesmo parar nessa ocasião. Além disso, Miller e Forrester relataram um estudo clínico com evidencia de que hipoplasia é muito mais comum em crianças prematuras do que nas nascidas a termo. No mesmo estudo, não só chamaram a atenção para a pigmentação largamente reconhecida dos dentes das crianças que haviam sofrido de doença hemolítica do recém-nascido, como também relataram a hipoplasia do esmalte nestes casos. Grahnén e Larsson também mostram o aumento de incidência da hipoplasia do esmalte em crianças prematuras, curiosamente, porém sem diferença de incidência da cárie entre este grupo e outro grupo-controle de crianças. Embora a literatura indique a maioria dos casos de hipoplasia do esmalte dos dentes decíduos envolve o esmalte formado depois do nascimento, ela é observada também no esmalte pré-natal. Nestes casos, a causa responsável pode ser uma perturbação gastrintestinal ou alguma outra doença da gestante.

Hipoplasia do esmalte devida a traumatismo ou infecção local:

 

Um tipo de hipoplasia observado ocasionalmente é insólito pelo fato de apenas um dente ser envolvido, no mais das vezes um dos incisivos superiores permanentes, ou um pré-molar superior ou inferior. A hipoplasia pode ser de qualquer grau, variando de uma pigmentação acastanhada e moderada do esmalte à presença de fossetas profundas e irregulares na coroa do dente. Estes dentes isolados são denominados comumente de “dentes de Turner”e a condição é chamada “hipoplasia de Turner”. Se um dente decíduo cariar durante o período em que a coroa do sucessor permanente estiver em formação, uma infecção bacteriana envolvendo o tecido periapical deste dente decíduo pode perturbar a camada ameloblástica do dente permanente e resultar em uma coroa hipoplastica. A gravidade desta hipoplasia dependerá da gravidade da infecção, do grau do envolvimento tecidual e da fase da formação do dente permanente durante a qual ocorreu a infecção. Um tipo semelhante de de hipoplasia pode seguir-se a um traumatismo sobre um dente decíduo, especialmente quando houver intrusão do dente com alteração do broto do dente permanente. Se a coroa do dente permanente ainda estiver em formação, o dano resultante manifesta-se como uma pigmentação ou mancha amarela ou acastanhada do esmalte, geralmente na face labial, ou como uma deformidade ou defeito em fosseta hipoplásico. Esta forma de lesão dentária foi discutida por Via, o qual salientou que pode ocorrer uma alteração na formação da matriz ou na calcificação, dependendo principalmente do estágio da formação do dente na época do traumatismo.

Hipoplasia do esmalte devido ao fluoreto:Esmalte Mosqueado

O esmalte mosqueado é um tipo de hipoplasia do esmalte que foi descrito pela primeira vez com este nome nos EUA, por G. V. Black e Frederichk S. McKay, em 1916. Tem-se conhecido de uma referência anterior a esta condição na literatura estrangeira, todavia Black e McKay, reconheceram que esta lesão mostrava uma distribuição geográfica e sugeriram mesmo que resultava da presença de alguma substância na água potável, embora somente anos mais tarde é que foi demonstrado ser o flúor o agente causal.

Etiologia. Sabe-se que atualmente, que a ingestão de água potável contendo flúor durante a época da formação do dente pode resultar no esmalte mosqueado. A intensidade do mosqueamento aumenta com o aumento da quantidade de fluoreto na água. Em níveis abaixo de 0,9 até 1,0 parte por milhão, o fluoreto na água provoca pequena pigmentação sem significado clínico. Acima do nível, ela se torna progressivamente evidente.

Patogênese. Este tipo de hipoplasia é devido a um distúrbio dos ameloblastos durante a fase formativa do desenvolvimento dentário. A natureza exata da lesão é desconhecida, mas como existe evidência histológica de dano à célula, é provável que o produto celular - a matriz do esmalte – seja defeituoso ou deficiente. Foi demostrado, também que com níveis um pouco mais elevado de fluoreto há interferência do processo de calcificação da matriz. Os estudos epidemiológicos têm relatado que nem todas as crianças nascidas e criadas numa área de fluorose endêmica apresentam o mesmo grau de mosqueamento muito embora tenham usado o mesmo abastecimento de água. Além disso, umas poucas pessoas podem apresentar mosqueamento moderado, mesmo quando expostas a concentração muito baixa de fluoreto. Estes achados podem estar relacionados com variações individuais no consumo de água e portanto na ingestão total de fluoreto.

HIPOPLASIA DEVIDA A FATORES IDIOPÁTICOS:

Apesar de terem sido apontados inúmeros fatores como possível causa da hipoplasia do esmalte os estudos clínicos mostraram que, mesmo com historias cuidadosas, a maioria dos casos é de origem desconhecida. Como o ameloblasto é um tipo de célula sensível e facilmente danificada, é provável que nos casos em que a etiologia não pode ser determinada, o agente causal tenha sido alguma enfermidade ou distúrbio sistêmico tão leve que o paciente não se deu conta e nem se lembra. Mesmo os casos relativamente graves de hipoplasias do esmalte ocorrem sem história médica pregressa pertinente que explique seu aparecimento.

Fonte: http://www.ufv.br/dbg/trab2002/OUTROS/DVS001.htm

 

 

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